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Revista Economia solidária 1. Apresentaçâo do conceito.

Aceesa - Associação Centro de Estudos de Economia Solidária do Atlântico, Portugal

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Sob a direcção de Rogerio Roque Amaro, aceesa - Associação Centro de Estudos de Economia Solidária do Atlântico, Portugal, 2009

Todo o nascimento releva de uma crise.

Porque implica um parto e as consequentes dores. E uma ruptura, entre a congeminação e a fecundação, por um lado, e a existência de um novo ser, por outro, quando este se autonomiza e deixa de estar no ambiente protector onde se foi formando, para passar a ver a luz do dia e a ter que mostrar a sua fibra e o seu caminho de afirmação e autonomia.

Este é o primeiro número da Revista de Economia Solidária, o momento em que ela vê a luz do dia e se pretende afirmar como um projecto próprio e autónomo. É o momento do seu nascimento, com as consequentes dores do parto e passagem à prática das suas intenções.

Como qualquer parto, teve as suas dificuldades…

Começou há muito tempo, o processo e o percurso que levou a este nascimento. Foi nos finais dos anos 80, quando se lançaram nos Açores as bases e o embrião do que viria a designar-se por Economia Solidária, já nos anos 90. Processo que depois “contaminou” e recebeu contribuições de experiências congéneres das Canárias, da Madeira e de Cabo Verde (e,mais recentemente, de S. Tomé e Príncipe). Nascia então a Economia Solidária da Macaronésia, conjunto de regiões / países insulares, situadas no Oceano Atlântico, entre três continentes – a África, a América e a Europa -, cujo conceito foi, pela primeira vez, definido e apresentado em Março de 2004 (AMARO e MADELINO, 2004).

Este primeiro número, que é o de apresentação, conta com cinco contribuições, ilustrativas do debate sobre Economia Solidária e do que poderão ser os conteúdos desta Revista:

  • Uma primeira, em que, como Director, apresento, de forma sucinta, o conceito de Economia Solidária da Macaronésia, em diálogo com as reflexões que têm sido apresentadas, sobretudo na Europa e na América Ibérica;

  • A contribuição de Jean-Louis Laville, um dos nomes mais conceituados neste domínio, (investigador no Conservatoire National d’ Arts et Mêtiers de Paris), que apresenta o conceito de Economia Solidária, no quadro do debate teórico actual sobre o Terceiro Sector, a globalização, a economia neo-liberal, os modelos políticos actuais e a luta pela democratização das sociedades no século XXI;

  • A de Jordi Estivill (da Universidade de Barcelona), outro dos nomes de referência da actualidade, que propõe uma reflexão sobre os caminhos mediterrânicos da Economia Social e Solidária, a partir das especificidades da Espanha, da França, da Grécia, da Itália e de Portugal, nomeadamente no que se refere às suas características socioeconómicas e políticas próprias e aos seus modelos de protecção social e de Economia Social tradicional;

  • A do jovem doutorando brasileiro, Igor Valentim, actualmente a prosseguir os seus estudos na Faculdades de Economia da Universidade de Coimbra e no Centro de Estudos Sociais (associada àquela instituição), e que faz parte de um grupo de mestrandos(as) e doutorandos(as) designado por ECOSOL (de “Economia Solidária”, procurando ligar a Academia às experiências de terreno, e que também tem ligações ao Mestrado de Economia Social e Solidária do ISCTE, que apresenta uma reflexão sobre a Economia Solidária no Brasil e a importância que o conceito de “Confiança” tem nessas experiências;

  • A do mestrando catalão Pol Vidal, actualmente a frequentar (sobretudo à distância, beneficiando do sistema de videodifusão) a 4ª edição do Mestrado de Economia Social e Solidária do ISCTE, e que propõe uma análise sobre a importância da “Fraternidade” na reflexão teórica do economista clássico inglês John Stuart Mill, contribuindo para a fundamentação teórica dos conceitos de Economia Social e Economia Solidária, a partir de um trabalho académico apresentado no referido mestrado.

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