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Jinriquixá na Índia

Uma iniciativa inovadora pelos mais pobres

Yvon Poirier, Februar 2009

Na Índia, como em muitos países, habitantes arrancados à vida rural onde não conseguem mais viver, partem para tentar melhorar sua sorte nas zonas urbanas. Ora, carentes de formação e de competências particulares, eles apenas aumentam o número de pessoas vivendo na miséria, muitas vezes em condições “desumanas”. É assim que na Índia, há 8.000.000 de condutores de jinriquixá, dos quais 95 % não são proprietários de seu próprio veículo, por falta de recursos. Na Índia, um jinriquixá é um triciclo modificado para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Para ganhar sua parca subsistência, eles são obrigados a alugar, por um valor diário, um jinriquixá a taxas que podem ser consideradas usuárias (geralmente uma forma de máfia). Assim, de uma renda diária média de 75 rúpias, eles devem pagar 25 para o proprietário (50 rúpias equivalem a US$ 1). Além disto, como eles não possuem seguro, são vulneráveis quando ocorre um acidente com um passageiro. Geralmente, cinco pessoas dependem desta renda para viver.

Constatando este fenômeno, o Dr. Pradip Kumar Sarmah, diretor executivo do Center for Rural Development (Centro de desenvolvimento rural), concebeu que era preciso encontrar uma solução para ajudar estes pessoas de origem rural. Ele pensou que a melhor forma era de montar um projeto que permita aos condutores tornarem-se proprietários de suas próprias ferramentas de trabalho, a saber, um jinriquixá.

O projeto: o Banco Jinquirixá

Assim, em 2004, nasceu a idéia do Banco Jinquirixá. Depois de uma série de providências um sistema está funcionando desde 2006. Ele possibilita aos trabalhadores autônomos de tornarem-se proprietários de seus jinriquixás. Além do mais, o projeto comporta numerosas inovações:

  • Um novo jinriquixá, com materiais mais leves e mais aerodinâmicos com a ajuda do Instituto Indiano de Tecnologia;

  • A nova concepção permite de nele afixar publicidade, o que aumenta a renda;

  • Um empréstimo em um banco lhes permitindo comprar seu jinriquixá, com a ajuda de ONGs de desenvolvimento, em decorrência de entendimentos com instituições financeiras e ministérios;

  • Este empréstimo é integralmente reembolsado dentro de um período de 12 a 24 meses, pagando a mesma quantia que pagavam antes aos proprietários, a saber, 25 rúpias por dia;

  • O empréstimo de um montante aproximativo de 13.000 rúpias, além da compra do jinriquixá, uma farda, uma carteira de identidade, uma carteira de habilitação e um seguro para dois anos;

  • Uma solidariedade de grupo se instala, pois os condutores formam grupos de cinco condutores cada um (no modelo dos grupos de empréstimos da micro-crédito). Além disto, cinco grupos, isto é, 25 condutores, dispõem de uma oficina para fazer a manutenção e consertar seus jinriquixás. Este lugar, que serve também para as famílias terem acesso ao gás para cozinhar, produz igualmente um sentimento de pertencimento e um espaço de troca de idéias.

Já são mais de 3.000 condutores que se tornaram proprietários e a demanda é tão forte que o Centro de Desenvolvimento rural não consegue mais responder a todas. É importante frisar que o projeto obteve uma visibilidade importante na mídia, inclusive na televisão nacional e nos jornais. Como o projeto é apoiado pelos governos respectivos, por exemplo, pela presença de ministros quando dos lançamentos em novas cidades, a notoriedade do projeto aumenta. Atualmente, a expansão do projeto vai ser realizada concedendo franquias a outras organizações em toda a Índia.

Os impactos

O projeto já tem condições de demonstrar um impacto do ponto de vista de um desenvolvimento comunitário sustentável. E isto em três níveis:

  • Social – melhoria da saúde dos condutores e de suas famílias, maior acesso à escola para os seus filhos, melhoria da lei e da ordem (menor controle da máfia) e criação de um ambiente de trabalho mais positivo.

  • Ambiental – uma alternativa ao uso das energias fósseis (automóvel) e acesso a um gás de cozinha mais ecológico.

  • Econômico – acesso à propriedade do jinriquixá, aumento da renda e elevação do nível de vida, acesso a recursos financeiros, criação de empregos para os jovens e possibilidade para as empresas locais de aumentar suas vendas.

O futuro - o Soleckshaw

Atualmente em fase experimental, um novo modelo de jinriquixá, assistido por um motor com bateria de energia solar, está sendo testado em Nova Deli. Lançado com a participação do Ministério das Ciências do governo federal indiano, é previsto utilizar o soleckshaw em grande escala na época dos Jogos do Commonwealth em 2010.

É um fato conhecido que a densidade das populações nas cidades da Índia é tal que é preciso encontrar soluções ecológicas para a circulação das pessoas e das mercadorias. Ao tempo em que permite uma melhoria sensível das condições de vida de pessoas muito pobres, o Banco Jinriquixá permite melhorar a vida urbana, e com a aparição em grande escala do jinriquixá assistido por um motor, o esforço físico dos condutores será igualmente consideravelmente reduzido.

Sources :

Resumo de uma apresentação em uma conferência em Brisbane na Austrália em outubro 2008. Para informações suplementares: Centre for Rural Development

Este artigo está disponível no blog: Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável