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Contabilidade e autogestão: um estudo sobre a dimensão contábil nos processos de autogestão dos empreendimentos de economia solidária

São Paulo : Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, 2006. Dissertação de Mestrado em Controladoria e Contabilidade: Contabilidade

Edir Antonia de Almeida, 2006

Ler artigo completo na página de : www.teses.usp.br

Resumo :

Neste trabalho, a contabilidade reveste-se de historicidade e insere-se no contexto da Economia Solidária (ES) como um fundamental instrumento de democracia e cidadania. Tendo como foco de estudo a relação entre Contabilidade e Autogestão (modelo de gestão da ES), o objetivo foi compreender e analisar a dimensão contábil nos processos de autogestão dos empreendimentos solidários, levantando desafios e demandas contábeis suscitadas nesse processo. Para tanto, foram criadas seis variáveis de análise que representaram aspectos da dimensão contábil, as quais são: 1) Forma de comunicação; 2) Conteúdo da informação; 3) Utilidade da informação; 4) Apropriação da informação; 5) Relação contador-usuário; 6) Legislação contábil. Os resultados obtidos, por meio do estudo de caso realizado em um empreendimento de ES, estão alinhados com estudos anteriores sobre o tema. As conclusões mais relevantes apontaram para confirmação das demandas e acrescentaram novas, dentre as quais destacam-se: a mudança da linguagem dos relatórios; criação de novos instrumentos contábeis apropriados à ES; novo perfil do profissional da área contábil; uma didática de formação em contabilidade adequada à realidade social dos trabalhadores; uma nova formação do contador baseada na realidade brasileira e preocupada com as questões sociais; e uma nova legislação contábil.Por outro lado, esta pesquisa indicou caminhos ou elementos à superação do hiato existente entre a realidade e necessidades destes usuários e as tradicionais posturas profissionais e instrumentos contábeis disponíveis à autogestão. Portanto, este trabalho contribui para a ampliação do campo de conhecimento sobre a relação contabilidade e autogestão, bem como para a reafirmação da contabilidade enquanto instrumento indispensável ao desenvolvimento econômico dos empreendimentos da ES e ao desenvolvimento de relações mais democráticas e solidárias. Entretanto, há necessidade de novas pesquisas para o aprofundamento das questões aqui levantadas e para desvelamento de outras faces do fenômeno.