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Economia solidária e identidade: a autogestão no trabalho como experiência emancipatória

São Paulo : Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, 2011. Dissertação de Mestrado em Psicologia Social.

Mariana Xavier Nicolletti, 2011

Ler artigo completo na página de : www.teses.usp.br

Resumo :

Nascida de minha história com o trabalho, fundamentada na vivência junto a grupos hétero e autogestionários, esta pesquisa busca a aproximação à experiência subjetiva, particular, única, vivenciada pelos sujeitos-cooperados de uma cooperativa popular exógena em formação, a Mãos na Massa. Sujeitos que fazem o dia a dia do empreendimento, que vivenciam a construção cotidiana da autogestão, em seus desafios e oportunidades. O prisma adotado a fim de compreender o sentido das transformações experimentadas pelos sujeitos é o da Identidade como metamorfose constante. A partir da observação participante ao longo do trabalho de nove meses junto ao grupo e das entrevistas em profundidade, de história de vida, com três cooperados, foi possível traçar pontos de inflexão ou de manutenção do sentido em que a metamorfose das identidades, nesses três casos, pôde dar-se. A matéria-prima desta pesquisa é o repertório de cada um, os sonhos, desejos, interesses. O encontro com a proposta de uma nova organização do trabalho pode ressoar de infindáveis maneiras, ganhar diversos significados; conformar-se ou não em um vetor para a concretização dos projetos de autonomia. Parte-se do papel central do trabalho para a formação e transformação da subjetividade, atividade de interação com o outro e com o ambiente que abre caminho para a transformação de si mesmo e do mundo. Trabalho que se concretizou, historicamente, como emprego, como trabalho informal, precarizado, contratado etc. A economia solidária e o cooperativismo popular propõem uma outra organização do trabalho e, portanto, uma diferente concretização das relações entre os homens e mulheres e deles como o mundo. Organização marcada pela solidariedade, cooperação, participação, equidade, pela construção conjunta, pela autogestão. Teoria e prática juntaram-se na formulação e no estudo da pergunta fundadora desta pesquisa: se, e de que maneira, a vivência do cooperativismo popular impulsiona um novo sentido, emancipatório, à metamorfose constante da identidade dos sujeitos-cooperados. Não se chega a uma única e definitiva resposta, mas aos caminhos seguidos por cada narrador de sua própria história. Entende-se como, nesses três casos, a economia solidária representou alternativas aos valores e ideologias enrijecidos, e como, assim, despontam espaços para novas personagens, para um outro outro que clama por vida. A vivência autogestionária apresenta-se, sim, como oportunidade para o reconhecimento de habilidades, conhecimentos, potencialidades, do que há em comum e de particular em cada um; para reconhecimento de toda a humanidade contida em cada homem e em cada mulher. A partir dos símbolos e significados compartilhados, recupera-se a confiança em si mesmo, estabelece-se a base para a posição de sujeito-ativo, autodeterminado que se lança à mudança do que não merece ser vivido, à construção de uma nova objetividade, não apenas no trabalho, na vida, na comunidade, no mundo.