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ECONOMIA SOLIDÁRIA: UMA PERSPECTIVA SOBRE A EXPERIÊNCIA EM CABO VERDE

Dissertação Mestre em Ciências Sociais Universidade de Brasilia - Brasil

José Maria Coelho de Carvalho, Junho 2008

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Resumo :

Trata-se de uma pesquisa que procura analisar e compreender o fenômeno da emergência, manifestação e desenvolvimento do projeto de economia solidária no contexto da realidade cabo-verdiana, a partir da observação empírica da estrutura, organização e funcionamento de seis associações de comunidades rurais da Ilha de Santiago. Para a realização deste estudo, adotou-se como referencial teórico a sociologia da dádiva, em articulação com a abordagem da economia solidária. Essas abordagens constituem ferramentas conceituais disponíveis mais adequadas à compreensão, nomeadamente, da tensão existente entre lógicas distintas inerentes à dinâmica e à complexidade do fenômeno de economia solidária e a ultrapassar o triplo reducionismo economicista-mercantil, utilitarista-positivo e metodológico, possibilitando, assim, a apreensão das experiências e iniciativas de economia solidária em suas várias dimensões: econômica, social, política e cultural.

A análise do contexto histórico, social e político da emergência e do desenvolvimento do projeto de economia solidária cabo-verdiana evidencia duas formas distintas de manifestação do fenômeno: o cooperativismo e o associativismo, em duas etapas decisivas da sua existência – o período que vai da independência nacional, em 1975, à abertura política, em 1990, e o de 1991 ao momento atual. A pesquisa realizada nas seis associações da Ilha de Santiago demonstra, designadamente, as motivações que levaram as respectivas comunidades a enfrentar associativamente os problemas de sua subsistência e a luta para a erradicação da pobreza no meio rural; como essas associações recuperam o tecido social local, mobilizam, congregam e dinamizam as comunidades a participar e assumir o desenvolvimento comunitário assente nos princípios de solidariedade e cooperação; de que maneira elas se constituem em redes, em elos horizontais, de modo a permitir o interconhecimento, o fortalecimento mútuo, a preservação da autonomia das associações como projetos de organização cidadã; como construíram redes de parcerias nacionais e internacionais essenciais à sustentabilidade e « perenização » dos respectivos empreendimentos.

Fontes :

bce.unb.br

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