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Práticas Cooperativas em Redes de Economia Solidária sob a Óptica da Ação Comunicativa: o Caso da Rede Justa Trama

Dissertação Mestrado em Administração de Empresas da Universidade de Fortaleza, Brasil

Silvana Aparecida de Aguiar, 2009

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Resumo :

Redes produtivas organizadas por meio de economia solidária são consideradas como alternativa econômica para os trabalhadores pobres das regiões em desenvolvimento. Este estudo analisa como uma cadeia produtiva de algodão agroecológico (chamada Justa Trama), é organizada por intermédio de uma rede, com base nos princípios do comércio justo e economia solidária. O processo produtivo começa em diversas áreas rurais do Nordeste do Brasil, onde o algodão é cultivado, de acordo com as orientações agroecológicas. O algodão cultivado é

então enviado para várias cooperativas em diferentes estados do Brasil até ser transformado em roupas, que são vendidas no Brasil e no Exterior. Embora a rede combine vários tipos de organizações, como: associações, ONGs, cooperativas, trabalhadores rurais e sindicatos, o formato cooperativista predomina na rede.

Cooperativas de trabalhadores e sua relevância na reestruturação produtiva são amplamente analisados na literatura. No entanto, o seu papel numa rede geograficamente dispersa e baseada no comércio justo e da economia solidária não tem sido estudado profundamente. Este trabalho propõe preencher esta lacuna com

a aplicação da Teoria da Ação Comunicativa, de Jürgen Habermas. Segundo esta teoria, a sociedade contemporânea está organizada com base em relações de mercado que limitam o potencial dos seres humanos. Assim, a comunicação desempenha papel importante na concretização da emancipação social. Este estudo procura, pois, responder à seguinte pergunta: Como práticas cooperativas, dentro de uma rede baseada na economia solidária e nos princípios do comércio justo tornam possível a emergência de uma racionalidade substantiva, de acordo com a Teoria da Ação Comunicativa de Jürgen Habermas? Para responder a esta indagação, foi

investigada a tipologia da racionalidade (instrumental ou substantiva) predominante no âmbito das cooperativas estudadas. Diversos indicadores dos processos organizacionais foram desenvolvidos para descobrir que tipologia foi utilizada pelas cooperativas (SERVA, 1997), tais como: processo de tomada de decisão, formas de comunicação, missão e valores, relações ambientais, hierarquia, controle, divisão do trabalho e ação social. Uma pesquisa de campo foi realizada com cinco informanteschave, e 30 trabalhadores de quatro cooperativas localizadas em quatro estados brasileiros. Foi encontrada uma racionalidade substantiva mais acentuada em cooperativas cuja gênese está relacionada à participação de trabalhadores na sua organização e gestão, e mais fraca nas cooperativas que só se organizaram por questão de sobrevivência, sem uma compreensão mais profunda dos processos envolvidos na sua participação neste tipo de rede.

Fontes :

Unifor.br

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