socioeco.org
Website de recursos comum da economia social e solidária

Trajetorias intelectuais e o campo da economia solidaria no Brasil

Tese doutorado Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

Noëlle Marie Lechat Paule, 2004

Ler artigo completo na página de : www.bibliotecadigital.unicamp.br

Resumo :

O objeto desta pesquisa é o processo de construção e legitimação de um novo campo de relações sociais e de sentido, identificado no Brasil sob a categoria de economia solidária ou alguma variante desta expressão. A pesquisa investiga como uma comunidade simbólica, no sentido que A. P. Cohen dá a este conceito, pode estruturar-se ao redor da economia solidária e qual o papel dos intelectuais no processo de sua formação. O conceito de campo, definido por Barnes como um conjunto de redes de relações sociais, de práticas e de idéias, é utilizado de preferência à noção de campo de Bourdieu por ele dar ênfase tanto à estrutura quanto ao significado. A pesquisa constrói seu objeto a partir da circulação de categorias, de pessoas, de práticas e de concepções focalizando mais especificamente a trajetória de vida e os escritos de três intelectuais paradigmáticos, Paul Singer, Marcos Arruda e Luiz Inácio Gaiger. Para a compreensão do tema foi realizada uma etnografia multilocalizada incluindo participação em eventos, entrevistas e análise de textos. As denominações desta economia continuam plurais; economia solidária, socioeconomia solidária e economia popular solidária, são alguns dos nomes que circulam e são analisados nesta tese juntamente com os valores e princípios que veiculam. A tese investiga de que forma intelectuais trouxeram para o campo da economia solidária a consciência de sua existência e, transcendendo a busca da solução para o desemprego e a miséria, apoiaram uma proposta de relações autogestionárias em substituição às relações de subordinação e exploração vigentes na sociedade capitalista, abriram as universidades para a discussão e reflexão dos percalços, desafios e possibilidades das formas alternativas de fazer economia, e foram ao encontro dos trabalhadores dos empreendimentos autogestionários e solidários por ocasião da pesquisa, da formação e da assessoria, mas trouxeram também suas divergências e disputas entre frações e organizações. A pesquisa identifica quatro fases de desenvolvimento da economia solidária, e verifica que, na fase atual, ela estaria se transformando em movimento social