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Economia solidária em Londrina : entre os princípios e a práxis

Tese Mestrado en Administraçao Universidade Estadual de Londrina. Centro de Estudos Sociais Aplicados. Programa de Pós-Graduação em Administração.

Sirlei Rose Martos, Abril 2013

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Resumo :

O contexto atual engloba problemas provenientes do capitalismo, que prega o consumo desenfreado, o individualismo extremo, a concorrência a qualquer preço e a maximização infinita do lucro, que não raramente é obtida por meio da exploração do ser humano e ou da natureza. O sistema capitalista demonstra-se bastante eficiente na geração de riqueza, mas incapaz de garantir equidade e bem-estar para a totalidade da população, sendo cada vez mais visível quadros de pobreza endêmica e concentração de renda em proporções nunca antes vistas. A economia solidária propõe-se a ser uma alternativa focada em relações sociais solidárias, por meio da participação popular, visando à inclusão social, à emancipação e à autonomia popular. O objetivo do presente estudo é fazer um levantamento dos grupos de economia solidária que se encontram em fase de incubagem pelo Centro Público de Economia Solidária (CPES) na cidade de Londrina-PR, para compreender como se estabelece o processo de incubagem, apurar as contradições entre os ideais de emancipação que fundamentam a economia solidária e a realidade vivenciada por esses grupos. Optou-se por uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. A unidade de análise é o Centro Público de Economia Solidária de Londrina-PR., tendo como estratégia um estudo de caso descritivo, utilizando como técnicas de coleta de dados a análise documental e entrevistas semiestruturadas junto aos principais dirigentes do CPES. Desde o início de funcionamento do Centro Público de Economia Solidária, 96 grupos já foram incubados e, desse total, 57 grupos não fazem mais parte do CPES. Atualmente existem 39 grupos incubados. Diversas contradições são observadas entre os princípios da economia solidária e a vivência prática dos grupos encampados pelo CPES, em que a emancipação econômica, fundamental dentro dos propósitos da economia solidária, na práxis parece estar sendo relegada a segundo plano, como se tudo caminhasse bem, apenas a questão econômica deixa a desejar, como se não fosse fundamental. Todavia, se a dimensão econômica é desprezada ou não é central, não é economia solidária, e sim grupos de convivência. Como decorrência de condições de extrema precariedade que afligem boa parte dos integrantes dos grupos que compõem a Economia Solidária em Londrina, assiste-se a um esforço por parte do CPES em dar assistência básica aos membros dos empreendimentos, até que estes possam desenvolver-se autonomamente. Porém, o que se nota é a dificuldade de superação deste estágio inicial pautado pela assistência, e tentando avançar para a eficácia econômica. Percebe-se um impasse de difícil solução entre ações de assistência que garantam o mínimo de dignidade e, ao mesmo tempo, criem condições para a emancipação socioeconômica efetiva.