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Gênero e economia solidária: um olhar sobre a participação e atuação das mulheres nas organizações do Terceiro Setor

Tese Mestrado Economia Universidade Federal de Uberlândia, Brasil

Andréa Costa Van Herk, 2011

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Resumo :

Vários são os recortes da vida cotidiana que obrigam as mulheres assumir papeis diferenciados, muitas vezes, tentando conciliar vida familiar e profissional. Mesmo com o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho de qualquer natureza, as diversas responsabilidades assumidas no dia a dia ainda ensejam uma série de desigualdades na relação entre gêneros. Em oportunidades no âmbito das organizações de economia solidária que visem produção e comercialização de bens e/ou serviços de maneira comunitária, possivelmente pautadas em solidariedade e cooperação, é que as mulheres envolvidas nestas iniciativas parecem conseguir minimizar algumas dessas desigualdades. Esta dissertação procurou abrir, de forma ampla, uma discussão com o objetivo de analisar como se configuram as relações oriundas da participação e atuação das mulheres na gestão de organizações de economia solidária. Isto, devido à quantidade de instituições com possibilidade de estudo que possuam participação feminina, assim, optou-se por estudar as relações de gênero nos cargos de gestão de duas organizações de economia solidária da cidade de Uberlândia, Minas Gerais. Para tanto, o estudo empírico buscou considerar algumas categorias de análise – cumplicidade, resistência e confronto – a partir de Medeiros (2008), e presentes no cotidiano das relações nas organizações de economia solidária, verificando a sua influência nas dimensões da gestão social – social, econômica, ecológica e organizacional e técnica – de Andion (2005). Para compor o arcabouço teórico, este estudo se embrenhou em salientar assuntos que possibilitassem entendimento direcionando a emaranhada interação entre os termos, gênero, Terceiro Setor, economia solidária, gestão social e conflitos. Abordou-se gênero não somente limitando-se ao masculino/feminino, mas buscando-o em vários contextos que possibilitaram vislumbrar desigualdades, tais como, formação, classe social, raça/etnia, dentre outros. Fez-se a contextualização do Terceiro Setor, afunilando conceitos e derivações do fenômeno da economia solidária, no sentido de compor o cenário das possíveis oportunidades para amenizar as diferenças de gêneros. Foram consideradas, também, diversas perspectivas, fazendo um contraponto e buscando análise da gestão social nas organizações de economia solidária estudadas. Nesse contexto, foram abordadas questões sobre conflitos organizacionais em instituições do Terceiro Setor, perfazendo situações que prejudicam, ou mesmo impedem o crescimento dessas organizações. Os procedimentos metodológicos utilizados na investigação contornam uma abordagem técnica interpretativa, sendo que as técnicas de análise perfizeram o caminho do estudo de casos. Utilizou-se a técnica da observação direta com o uso do diário de campo na pesquisa, sendo que a coleta de dados foi composta por análise documental, narrativas individuais e em grupo dos sujeitos nos cargos de gestão, completando-se com entrevistas individuais, a fim de compor a triangulação dos dados. Os resultados da pesquisa mostraram que as iniciativas das organizações de economia solidária estudadas merecem destaque e reconhecimento, não só na sociedade civil, mas também no âmbito de Estado, pois lutam efetivamente por transformar realidades críticas locais. Entretanto, a gestão social é cercada de várias carências, sendo que os problemas são potencializados por conflitos nas relações sociais, influenciados pelas categorizações de gênero que prejudicam sobremaneira o desenvolvimento das organizações de economia solidária.

Fontes :

Repositorio digital UFU repositorio.ufu.br